27 de Agosto de 2010

Observações I

...mas o que move essas pessoas? É estranho, você observa cada uma delas numa grande sala e prontamente as julga. Julga sim, as vezes tão normalmente que você nem se dá conta que está agindo assim. É simples. Basta conviver. Um casal senta à mesa na minha esquerda. A mulher, de roxo e com laço verde nos pés, balbucia algumas palavras e toca o homem de maneira menos genérica, como tocaria qualquer outro homem, enquanto passa as mãos pelos seus cabelos já não mais tão vermelhos. O homem, não mais um rapaz, mas com a sua já quase identidade apontando os quarenta anos de existência, não parece compartilhar dessa abertura íntima por parte da mulher. O homem conversa. A mulher parece impaciente, apesar de se mostrar entretida com a conversa. Entenda a impaciência não por querer ir embora mas por tentar fazer os seus sinais cada vez mais claros. E empurra a cadeira, se aproxima mais, escuta-o. Ele deixou suas coisas à mesa junto à dela. Seus olhares têm em si alguma eletricidade. Observo perifericamente os olhares à boca. De onde eu estou eu vejo a aproximação. Os óculos não tornam menos visíveis à maneira fixa com que ela grava o rosto, grava os cheiros, o tato.

...e eu me pergunto, o que move essas pessoas, ou melhor, o que move as pessoas?

Que tipo profusão química acontece dentro dessas pessoas? E dentro dessa mulher? E desse homem? Farão isso por mero interesse barato? O que mais há em jogo? Existe um jogo?

Essas perguntas tem uma miríade de respostas.

0 comentário(s):

Enviar um comentário