10 de Julho de 2011

Hoje vou escrever pra você.

O mais próximo que estive de você foi em um breve abraço, num ambiente cheio de pessoas que não eram somente eu ou você. E eu me pergunto como posso me lembrar de um cheiro, e como meu corpo processa esse cheiro em mim e me faz senti-lo como se te abraçasse novamente em pensamento. Tento decifrar esse enigma que se põe com seu nome à minha frente. Essa tentativa vem carregada do meu próprio questionamento sobre o que eu realmente vejo em você, se o que eu vejo em você é apenas o meu dedo apontando para alguém mas na verdade revelando a mim mesmo meus segredos, que vão camuflados de elogios ou observações feitas à teu respeito. Você entendeu o que eu disse, você decifrou esse pequeno detalhe, sem que eu tivesse dito uma palavra. Decifrar esse enigma me fez pensar, exatamente, em como eu me mostro pras pessoas.

Há tempos não me revelava à alguém.

Você tem em si uma centelha que me instigou a querer me abrir, querer me aproximar, diminuir o espaço e o intervalo que existe entre o meu coração, o mundo e você. Digo isso porque o que sinto toca àqueles que recebem isso por inteiro, mesmo que não volte. Meu coração é uma porta aberta, que se expande e busca encontrar ressonância em outros corações. Meu coração é maior que meu corpo inteiro, foge do meu controle, balbucia palavras que não esperam a razão se pronunciar. Por vezes calo, apesar de criar tempestades dentro de mim. Meu corpo sempre fala. Minha mente repete pra mim, e só sossega quando ele alcança o que sente.

Meu coração se revela nos meus segredos desvelados.

Então não sei o que sinto. Estico a mão e sinto essa massa etérea na minha frente. Fecho os olhos e quase toco a matéria ao meu redor. Não sei que nome dar ao que sinto, sei que se expande à mesma velocidade que meu coração teima em ser maior do que eu dia após dia.

Que ele alcance você para que meu peito sossegue.

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